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O Pinheiro Silvestre - de A a Z

Por Pascual Costa
Jardin Moyogi - Vila Real

PINHEIRO SILVESTRE; P.ALBAR; P.ROJO.
Este pinheiro vive e desenvolve-se acima dos 1000 metros de altitude, estendendo-se desde a Escandinávia e do Círculo Polar Ártico, na Sibéria, até à Serra Nevada, em Espanha. Em Portugal estao recenseados alguns exemplares na regiao da Peneda-Gerês e na Serra da Estrela (NT).
Caracteriza-se por ter a casca da parte superior do tronco papiracea e de cor alaranjada, suas aciculas curtas, e suas pinhas pequenas com as apófisis das escamas salientes mas não retorcidas.

Procura nas alturas as baixas temperaturas que minorem a falta de humidade. Em grande parte de sua área européia é uma árvore de planície, que esta considerado como espécie resistente ao que nestas latitudes se consideram  climas secos.

O PINHEIRO SILVESTE COMO BONSAI.

O pinheiro silvestre, por suas características, é ideal para cultivar e modelar como bonsái. Começando pelas suas pequenas folhas, suas pinhas também pequenas, o fácil cultivo, e a recuperação do transplante, passando pelo aramado, pinçado², selecção de agulhas e rebentos, e a já conhecida flexibilidade dos pinheiros. É um pinheiro que suporta bastante bem os cortes de poda e o trabalho de madeira seca (sempre que a árvore esteja forte e enraizada corretamente.) É aconselhável fazer, no mínimo, duas vezes ao ano, tratamentos preventivos com fungicida e insecticida.
Trabalhando os pinheiros é como melhor se podem entender os bons resultados que se podem conseguir com esta espécie. Realmente flexíveis e maneáveis ao aramar assim como na colocação dos ramos na posição desejada. Os ramos mais grossos e velhos são os mais difíceis de dobrar, mas com rafia e arame podem-se chegar a dobrar ramos aparentemente impossíveis de modelar. Mas haverá sempre o ramo que é melhor não dobrar devido à sua rigidez. Há ocasiões em que é melhor incorporar no desenho alguns ramos naturais e grossos do que os tentar dobrar ou converter em jin.

O poda de pinheiros deve realizar-se na primavera, quando as novas “velas” (zona de crescimento dos novos gomos. NT) atingem o desenvolvimento máximo, mesmo antes de formarem agulhas, cortando-as ao meio. Isto se faz todos os dias, na época de início do ciclo vegetativo, (mês de Abril), cortando apenas as “velas” fortes e deixando as mais fracas. Desta maneira se conseguirá equilibrar as zonas de ramos e a árvore. Só se elimina por completo uma “vela” quando, num rebento haja pelo menos três “velas” e a eliminada seja a forte e, deixando duas, se consiga uma melhor distribuição e equilíbrio de crescimento.

Continuemos trabalhando, certificando-nos a cada momento que o arame que não se crave na casca. Durante a época de crescimento é quanto mais temos que estar com atenção ao arame. Caso este comece a incrustar-se na casca deve ser imediatamente retirado. Caso o ramo não fique na posição desejada voltamos a aramar. No pinheiro silvestre, como só rebenta uma vez por ano, é muito fácil que não nos darmos conta do crescimento, e  o arame cravar-se com facilidade. Por isso devemos estar com muita atenção e observar com freqüência todos os ramos aramados e evitar esses sulcos na casca que ficam feios e não são naturais.

Em Setembro e Outubro, temos trabalho nos pinheiros. Toca-nos limpeza de agulhas velhas e selecção de rebentos (gomos). Ao mesmo tempo que fazemos este trabalho podemos podar nas zonas mais densas, definindo a ramificação, cortando rebentos de pontas de três ou mais gomos agrupados num mesmo ponto, (deixando algum gomo interior). Estes rebentos, se não se podam, levam a que a ramificação se forme desordenadamente, ao contrário do que queremos conseguir, que é ramificação ordenada e fina.

Falemos de pinheiros yamadori¹.

É verdade que as árvores yamadori são as mais apreciadas e valorizados. Mas trata-se de um valor natural que se deve respeitar e que se assegure que árvore que se recupere vai, de certeza, viver. Caso contrário nem se lhe deve tocar e apreciá-lo na natureza. Mas se se está certo de que vai sobreviver, outra forma de o apreciar será trabalhá-lo como bonsái para que o admirem também outras pessoas. Pois se não fosse pelo bonsái, essas pessoas, aficionadas do bonsái ou não, nunca poderiam admirar e desfrutar essa pequena natureza.

O momento ideal para recuperar o yamadori seria em Abril. Os botões iniciam a sua actividade e nota-se que começam a pôr-se mais avermelhadas e inchadas. Já se sabe que quantas mais raízes finas se consigam salvar ao arrancar (sem desfazer o torrão de terra aderente ás raízes), maior garantia se terá de que viva (se não for assim deve desistir da recuperação). No caso de não retirar suficientes raízes, poder-se-ia repicar o cepellón(4), em três secções e cada ano repicar uma parte, durante dois ou três anos. Quando se assegure que tem raízes novas, recuperar. Deste modo podemos todos desfrutar este futuro bonsái ao assegurar  a sua sobrevivência.

Raízes crescendo no campo; não existem raízes finas. Se cortamos e recuperamos ao mesmo tempo e se nos rompe o cepellón o mais certo é que a árvore não sobreviva. Há necessidade de que na recuperação se retire o maior número possível de raízes sem romper o cepellón. O melhor nestes casos é repicar as raízes.
Exemplo de repicado:

Partimos em três partes o cepellón, a uma distância do tronco de 15cm aproximadamente repicamos fazendo um rego de profundidade suficiente para cortar todas as raízes. Recheamos o rego com substrato e regamos com um preparado com hormônios. Se não podemos ir regar quinzenalmente, pode-se misturar ao substrato um gel humedecedor ou algum sistema de gotejo caseiro, como uma garrafa de água com um orifício calculado que ao dia liberte 1/2 l de água. O melhor seria regar semanalmente em dias de verão. No primeiro ano nascem novas raízes. No segundo ano seguem crescendo as do primeiro ano e nascem as do segundo ano. No terceiro ano seguem crescendo as raízes do repicado dos primeiro e segundo anos e nascem as novas raízes do terceiro ano. Na primavera seguinte se pode recuperar com toda a garantia de que viverá.

Continuando o trabalho depois de recuperar um yamadori.
No dia seguinte ao da recuperação, é quando começa o trabalho do futuro bonsái. Mas não o podemos trabalhar, enquanto não estejamos seguros de que está forte e tenham passado no mínimo dois anos desde sua recuperação. Até esse dia só o cultivaremos, e o trataremos com carinho, regaremos com cuidado, adubaremos e daremos muito sol. É recomendável mantê-lo, no primeiro mês, na semi-sombra para o cultivar depois em pleno sol.
Em todo este tempo que o esta cuidando cada vez que o rega imagine um desenho de como vai ser este novo bonsái e o que ajuda muito é desenhá-lo.
Para mim é um verdadeiro compromisso recuperar uma árvore e penso que no momento em que o recuperamos é como um filho, que temos que cuidar e querer toda a vida. Se não vai ser asim, o melhor é não recuperar. Ele vai ficar perfeitamente na natureza.

A terra que uso para os pinheiros é 60% de akadama e 40% de vulcânica fina 3-5 mm, ou terra pómez do mesmo calibre. Também servem bem outras misturas, mas com boa drenagem. Ou simplesmente akadama 100%, (todas estas misturas livres de pó).
A água agrada-lhe, como à maioria das plantas. Com uma boa drenagem não há que ter medo de regar abundantemente, todos os dias na primavera e, no verão, mesmo duas vezes ao dia, mas evitando regar nas horas de mais sol e em que o vaso não esteja quente (é importante regar duas horas antes que o sol comece a aquecer). No Outono e Inverno, reduzir a rega, mas o pinheiro não deve que passar, em nenhum momento, sede.

Com o adubo devemos ser generosos, e abonar cada mês, uma ou duas vezes. Com os líquidos há que ter mais atençao e abonar sem romper o ciclo da etiqueta recomendado pelo fabricante. Pelo contrário, o adubo orgânico é menos exigente, porque cada mês tens que abonar, mas se passarem uns dias o bonsai ainda tem adubo da vez anterior.

Detalhe de formação de um ramo, formado num só nível e que poderia seccionar-se em dois níveis.

O mesmo ramo trabalhado como JIN³.

      

¹ Yamadori – palavra japonesa que quer dizer árvore recolhida na montanha.
² Pinçado- poda realizada com as pontas dos dedos.
³ JIN – ramo que é trasformado natural ou artificialmente em madeira morta.
4 CEPELLÓN – torrão de terra aderente ás raízes.

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