“...no tengo ninguna prisa he intento encontrar la gratificación en lo cotidiano y no en la obsesión y la premura del resultado final.” |
Spainbonsái entrevista a Sebastián Fernández,
Bonsái Haiku
Sebastián Fernández Muñoz, é sobejamente conhecido no mundo do bonsái e qualquer apresentação se arrisca a ser incompleta. Assim preferimos prescindir de apresentações e entrar diretamente na entrevista para que possa descobrir um pouco mais sobre este artista, referência do bonsái em Espanha.
Esta entrevista tem como tema principal o pinheiro silvestre que Sebastián apresentou no último concurso do Museu Municipal de Bonsái de Alcobendas. Este pinheiro foi selecionado por Danny Use para participar na Gingko Bonsái Awards de 2007 representando a Espanha. |
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-Como e quando te encontraste pela primeira vez com esta árvore?
Este foi meu segundo pinheiro recuperado e o terceiro que tive como bonsái, já há uma vintena de anos.
-Que foi o que mais te despertou a atenção neste exemplar?
O que mais me chamou a atenção foi o movimento de seu tronco. A copa eram dois pequenos e frágeis raminhos. Vivia em circunstâncias muito adversas nas montanhas de Tarragona.
-Por quê o Pinheiro Sylvestris?
Escolhi esta variedade porque acreditava e acredito que é a melhor, de longe, de entre nossos pinheiros para o cultivo e modelado como bonsái.
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-Que que destacarias nesta espécie?
Destacaria: a beleza de suas folhas, viáveis para reduções até 1 cm. Sua profusa ramificação, o tronco forte e vigoroso mas ao mesmo tempo delicado, podendo mostrar madeira morta (como os pentaphilas*), a cor avermelhada de sua casca quando se racha, a facilidade de seu cultivo e a extraordinária aceitação para ser modelada como bonsái.
- Creio que esta árvore tem, para ti, um significado sentimental importante. Podes dizer-nos o porquê desta relação tão estreita?
Tem um grande significado para mim, sem duvida, por muitos motivos, de entre os quais indicarei vários:
. Foi uma das minhas primeiras árvores recuperadas na montanha;
. Cultivei-o durante 12 anos sem lhe tocar – unicamente o transplantava – e os restantes modelando-o;
. Com ele aprendi quase tudo que sei sobre o “pinheiro silvestre”;
. Sempre me respondeu na perfeição – nisto creio que não nos enganamos, nem um, nem o outro;
. Sei até onde pode chegar este pinheiro e auguro-lhe um futuro excepcional no mundo do bonsái;
. Por ser uma árvore que sempre despertou em mim sensações especialmente gratas, é a primeira árvore a deixar de ser minha para ser a primeira a pertencer a um dos meus filhos – Alberto – com o desejo de que lhe transmita a ele algo parecido com o que em mim causa.
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-O modelado e o cultivo são uma oportunidade para gozar, e mais quando o bonsái tem, adicionalmente, valor sentimental. Que emoções te transmite esta árvore?
As emoções são difíceis de descrever, se pretendemos ser fiéis ao sentimento. Mas o que posso dizer é que é uma das árvores mais queridas de minha colecção e não é porque seja a melhor mas sim porque são muitos, já, os anos que passamos juntos. E creio que isso se transmite e se reflecte no bonsái, pois 90 % do que constitui a sua copa foi criado durante o seu cultivo como bonsái. Por isso o que temos: as curvas dos ramos desde seu nascimento até ao final, a orientação de cada uma delas, a situação, os jin da copa, tudo isso foi feito segundo meu critério e vi-o surgir do nada. É algo muito parecido com um filho, é a tua criação, o fruto de teu trabalho cotidiano durante tantos anos. Para mim ISSO É O BONSAI e isso encontro de forma completa nesta árvore.
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- Se tivesses que resumir numa frase o que esta árvore significa, qual seria ?
Significa: BONSAI. Como disse anteriormente, poucas árvores me transmitem os valores e sentimentos do bonsái de uma maneira tão clara e profunda.
- Que recomendação farias aos aficionados para que aprendessem a desfrutar de suas árvores como tu fazes ?
Não me considero ninguém para dar conselhos. Cada qual deve encontrar o caminho que mais o satisfaça. Eu unicamente posso falar de minha experiência e envolvimento. É isto o que posso dizer: que adorei e o continuo fazendo com os cuidados que dedico às minhas árvores. E ainda que seja verdade que se têm de ter as coisas muito claras para saber, em cada momento, que fazes e para quê, não é menos verdade que não tenho pressa alguma e pretendo encontrar satisfação no quotidiano e não na obsessão e na busca rápida do resultado final. Há que gozar o momento, cada folha que se corta, cada jin que se faz, cada gema que se pinça, cada modelado, cada transplante. Há que saborear cada rebento com absoluta entrega, entusiasmo e intensidade e há que o compartilhar. Compartilhar as emoções e experiências com as pessoas que te rodeiam, com teus amigos, parceiros… Isto é o que realmente me satisfaz no bonsái.
- Quando e como planeaste o modelado deste pinheiro para sua exposição em Alcobendas ?
Tomei a decisão no verão pelo que o tamanho das folhas era já excessivo e esperei até 15 dias antes do concurso para seu modelado, quando as folhas já estavam maduras. Na verdade tive que humedecer constantemente a copa para favorecer o oxidado do cobre. Isto não deve fazer-se assim. O bonsái deve preparar-se com anos de antecedência. Por isso o separei dos restantes e lhe farei um cultivo e tratamento especiais para o apresentar na Bélgica com um aspecto mais apropriado e uma mesa mais em conformidade.
- Que significa para ti o fato de que este bonsái tenha sido selecionado para representar a Espanha na Ginkgo Bonsái Awards do próximo ano ?
Representa uma satisfação.
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-Mentalmente, como devem encarar-se estes concursos para tentar atenuar os conflitos que podem aparecer ao olhar aos demais como concorrência?
Olha, eu não sou partidário de concursos. Se tivermos em conta o que acabo de responder na pergunta anterior parece claramente lógico e conseqüente, mas creio que neles, e isto é inquestionável, se podem apreciar grandes trabalhos de outros aficionados e profissionais e é um bom momento para comprovar o nível e as tendências. Eu não tinha pensado apresentar-me e a decisão foi quase coletiva entre as pessoas que compomos o Grupo de trabalho de Haiku (9 amigos). Para mim era uma ocasião mais para sairmos juntos e compartilhar este gosto em outra dimensão, diferente da do trabalho no viveiro. E reconheço que não esteve mau.
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Com respeito ao termo “concorrência” creio que não é este o âmbito da concorrência pois os critérios que muito frequentemente se utilizam nos concursos para selecionar às árvores vencedoras são muito pessoais e subjetivos e não é necessariamente o da qualidade o que prevalece(difícil por outra parte de ponderar em trabalhos artísticos de similar homogeneidade). Por isso podemos ver, com surpresa e um pouco de indignação, argumentos de selecção como: … (Variedade, tamanho, procedência do bonsái e outros que prefiro omitir mas que estão no pensamento de todos). Por isso creio que ninguém deve ver os demais como concorrentes, bem ao invés, colegas que nos mostram seus trabalhos e dos quais podemos aprender sempre algo. E se em alguma “feira” seleccionam o nosso pois muito melhor e, se não, pois muito bem, aceitemo-lo com desportivismo e preparemo-nos para a próxima. E se tomamos boa nota e conhecemos as “veleidades” do árbitro pois talvez haja mais sorte.
-Que pensas que deveríamos fazer em Espanha para que o bonsái deixasse de ser um “hobby” de uma minoria para se converter num verdadeiro instrumento de desenvolvimento social?
Creio que o bonsái é isso, um “hobby”, um negócio (muito reduzido). Que não é pouco se se fizerem bem ambas (com tempo suponho que será um “gosto” para muitos mais) mas creio que é excessivo pretender que o bonsái seja um instrumento de desenvolvimento social (que é, no caso do Japão?). Entendo o bonsái como algo mais humilde e modesto (e por isso muito importante). Entendo o bonsái fundamentalmente como uma ferramenta que nos ajuda a expressar-nos, e a comunicar através da criação, a respeitar o nosso meio a sentirmo-nos mais perto da natureza. Algo que nos ajude, em suma, a ser mais felizes. Nada mais e nada menos.
Muito obrigado Sebastian pela tua desinteresada colaboração |
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- Pinus penthaphylla (Pinheiro japonés de cinco folhas (agulhas)) (N.T.)
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